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DIÁLOGOS ENTRE FILOSOFIA E CINEMA:ENSAIO DE UMA ANÁLISE FILOSÓFICA DA OBRA CINEMATOGRÁFICA VIRIDIANA, DE LUISBUÑUEL

Luiz Marcelo Palauro

Autor
Luiz Marcelo Palauro
Revista
Lampejo - Revista Eletrônica de Filosofia
Ano
2018
Idioma
pt-BR
2018Luiz Marcelo Palauro. DIÁLOGOS ENTRE FILOSOFIA E CINEMA:ENSAIO DE UMA ANÁLISE FILOSÓFICA DA OBRA CINEMATOGRÁFICA VIRIDIANA, DE LUISBUÑUEL. Lampejo - Revista Eletrônica de Filosofia, 2018.2

O artigo busca uma aproximação entre o filme Viridiana, de Buñuel, e o pensamento filosófico. Para tanto, utilizamos os textos: O Cinema Pensa, de Júlio Cabrera; Desde quando o Progresso ficou louco, de Jacques Julliard; e, principalmente, a Segunda Dissertação da Genealogia da Moral, de Nietzsche. Encontram-se neste texto, também, rápidas referências a Heráclito,  Parmênides, Platão, Sartre e Kant. Ao longo dos séculos, a filosofia idealista se desenvolveu dogmaticamente, procurando se constituir em um pensamento exclusivamente racional. Na modernidade, Descartes é o apanágio dessa vertente de pensamento convicta da possibilidade do conhecimento puramente racional do mundo. “Penso, logo sou”, diz ele; verdade racional, autoevidente, clara e distinta. Só muito esporadicamente em filosofia, e de maneira mais frequente a partir do séc. XIX, surgem pensadores que buscam reintroduzir em suas reflexões o elemento  afetivo e irracional. Os escritos desses autores estão repletos de sentimentos, de contradições, de vida, de imagens poéticas ou ainda de críticas à ideia de razão onipotente (própria do Iluminismo). Sem sombra de dúvidas, um filme não é a realidade: é uma imagem, é uma fantasia, é como um poema, uma ilusão e uma cópia da realidade. Será, somente por isto, um obstáculo para a compreensão da realidade? Compreendemos que, justamente por nos afastar da realidade, a arte possibilita que a vejamos de um modo que não poderíamos ver se estivéssemos mergulhados na imediatez do real. É neste sentido que pretendemos buscar uma aproximação entre o filme Viridiana e a Filosofia: ambos possuem como elemento comum a mediação com a vida (o mundo, a realidade).