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DISCURSO, PODER E SEXUALIDADE EM FOUCAULT

Guilherme Paiva de Carvalho, Aryanne Sérgia Queiroz de Oliveira

Autor
Guilherme Paiva de Carvalho, Aryanne Sérgia Queiroz de Oliveira
Revista
Revista Dialectus
Edição
11
Ano
2017
DOI
10.30611/2017n11id31003
Idioma
pt
2017Guilherme Paiva de Carvalho, Aryanne Sérgia Queiroz de Oliveira. DISCURSO, PODER E SEXUALIDADE EM FOUCAULT. Revista Dialectus, n. 11, 2017.3

 O artigo aborda o discurso, o poder e a sexualidade na perspectiva de Michel Foucault. A partir da genealogia das relações de poder, Foucault analisa os discursos sobre a sexualidade no Ocidente que constituíram a heterossexualidade como padrão de normalidade. Os discursos da ciência médica no Ocidente enfatizaram a função reprodutiva do sexo e a concepção binária do gênero. Na cultura ocidental, o conhecimento científico constitui um saber médico que classifica as espécies de práticas sexuais. Utilizando a hermenêutica como metodologia, o estudo analisa os discursos da medicina sobre a transexualidade e a disorder of sex development(DSD). Na Ciência Médica, a normalidade da sexualidade se baseia na concepção binária heterossexual e reprodutiva. O gênero é definido a partir das categorizações macho e fêmea. Pessoas que não se adéquam aos seus corpos e desejam mudar o seu gênero possuem transtornos mentais para o saber médico. Outras estruturas anatômicas e fisiológicas da genitália são consideradas patológicas, ou ambíguas e anomalias. A definição da normalidade sexual da Ciência Médica é referência para outros campos do conhecimento, como a Ciência Jurídica. Analisando os discursos da ciência médica na sociedade contemporânea, observa-se a classificação de pessoas ou de práticas sexuais que caracterizam formas de transgressão da normalidade, consideradas como casos patológicos ou anomalias. Desse modo, a “transexualidade”, a “intersexualidade”e outras “espécies” ou práticas sexuais que transgridem as normas científicas sãoclassificadas como patologias.O estudo conclui que a genealogia da sexualidade de Foucault permite refletir sobre a hegemonia do discurso de verdade da medicina na sociedade contemporânea e o modo de classificação das “espécies” sexuais que são consideradas como casos patológicos.