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Do amor abandonado em Memórias do mar aberto: Medeia conta sua história, de Consuelo de Castro, e Medeia, de Eurípides

Orlando Luiz de Araújo

Autor
Orlando Luiz de Araújo
Revista
Argumentos - Revista de Filosofia
Edição
32
Ano
2024
DOI
10.36517/Argumentos.16.32.93228
Páginas
46-52
Idioma
pt
2024Orlando Luiz de Araújo. Do amor abandonado em Memórias do mar aberto: Medeia conta sua história, de Consuelo de Castro, e Medeia, de Eurípides. Argumentos - Revista de Filosofia, n. 32, p. 46-52, 2024.1

Memória do Mar Aberto: Medeia conta sua História — obra da dramaturga mineira Consuelo de Castro (1946-2016) —, trata da ambiguidade do sentimento amoroso e da paixão devastadora que Medeia, a feiticeira da Cólquida, nutre pelo argonauta Jasão. Na releitura de Consuelo de  Castro, a pompa bárbara e a nobreza argiva da tragédia de Eurípides dão lugar ao lixo, na praia, e ao terreno baldio. Nesse cenário inóspito, em primeiro plano estão o cais do porto, onde se vê, abandonada, o casco da Nave de Argo e a sala do trono de Creonte. Em Eurípides, o barco (σκάφος, v.1), e sua construção, é a representação simbólica dos infortúnios de Medeia; pois, nele, se Jasão nunca tivesse zarpado (διαπτάσθαι, v.1) rumo à Cólquida, a princesa bárbara jamais teria se apaixonado pelo argonauta e ido à terra grega, após trair o pai e os irmãos, entregando-lhe o tosão de ouro. O barco, que em Eurípides movimenta o enredo da tragédia, encontra-se, na obra de Consuelo de Castro, ancorado - em um canto qualquer do mundo -, abrigando vidas infelizes e devastadas por Eros. Neste artigo, analisamos o amor e a paixão, na Medeia euripidiana, reconstruídos como elementos responsáveis pelo abandono de si e pela dimensão dramática do humano em Consuelo de Castro.