Dois discursos sobre a Natureza: Dos contrassensos naturalistas à “geologia fenomenológica” de Husserl
Carlos Diógenes Côrtes Tourinho
- Autor
- Carlos Diógenes Côrtes Tourinho
- Revista
- Philósophos - Revista de Filosofia
- Edição
- 26 / 2
- Ano
- 2022
- DOI
- 10.5216/phi.v26i2.68834
- Idioma
- pt
O presente artigo trata de dois discursos sobre a Natureza. No primeiro deles, aborda a doutrina do Naturalismo, segundo a qual pensar a Natureza consiste em pensá-la como um todo unitário e indivisível do qual fazem parte a matéria orgânica e inorgânica. Em relação de continuidade com as demais espécies, o homem seria um organismo biológico, cujas funções psíquicas seriam meramente funções do sistema nervoso central. O artigo mostra que tal doutrina incorre em problemas de fundamentos. Já o segundo discurso nos remete para uma “geologia fenomenológica”, na qual Husserl pensa a Terra não meramente como um planeta a girar em torno do Sol, mas como uma “Terra-solo” na qual os corpos se distribuem em um sistema aberto de possibilidades. Se o discurso naturalista se “fecha” em torno da naturalização da consciência, a geologia husserliana nos fala da “abertura” desse solo originário a todos os seres, dentre os quais o próprio homem que, neste solo, constitui para si suas metas e aspirações.
