Voltar para Artigos
Artigos

DURAÇÃO E CAUSALIDADE OU LIBERDADE E DETERMINISMO, SEGUNDO BERGSON E SCHOPENHAUER

Catarina Rochamonte

Autor
Catarina Rochamonte
Revista
Lampejo - Revista Eletrônica de Filosofia
Ano
2014
Idioma
pt-BR
2014Catarina Rochamonte. DURAÇÃO E CAUSALIDADE OU LIBERDADE E DETERMINISMO, SEGUNDO BERGSON E SCHOPENHAUER. Lampejo - Revista Eletrônica de Filosofia, 2014.1

Resumo: Ao observarmos a escala evolutiva dos seres, percebemos uma divergência, separação e diferenciação cada vez maior, fazendo com que pareça haver cada vez menos na causa e mais no efeito. Mas dessa progressiva heterogeneidade, incomensurabilidade e incompreensibilidade da relação entre causa e efeito Schopenhauer apenas conclui uma maior complicação da causa, mas não uma diminuição do seu caráter necessário. Longe de inferir uma diferença radical de natureza entre o processo de causalidade física e o processo de causalidade psíquica, Schopenhauer faz da possibilidade de analogia entre ambas o procedimento metodológico central da sua filosofia. Para Bergson, entretanto, o distanciamento temporal entre causa e efeito é qualitativo e interpretado como um princípio de liberdade. De fato, contrariamente a Schopenhauer, a argumentação de Bergson vai no sentido de indicar a existência de uma causalidade psicológica enquanto força sui generis, incompatível tanto com a causalidade mecânica ou eficiente quanto com a causalidade inteligente ou finalista. A ação pressupõe a existência de uma força específica que estaria por trás de toda a vida psicológica como aquilo que há de mais importante para a consciência. Não sendo de essência material ou conservadora, essa energia se caracterizaria sobretudo por pressupor um esforço e por ocupar uma duração determinada de fato e de direito, que não poderia ser alongada ou encolhida sem que o resultado obtido fosse outro. Nosso trabalho pretende comparar o alcance e o significado que esses dois filósofos concedem à lei de causalidade, buscando com isso elementos que nos auxiliem na compreensão da crítica bergsoniana ao determinismo natural e à concepção associacionista do espírito, ambos presentes na filosofia de Schopenhauer.