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ECOS SOBRE O FIM E A TERRA NENHUMA COMO DESTINO PRÓXIMO: Resenha de um Quase Manifesto

Maurício Fernandes

Autor
Maurício Fernandes
Revista
PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA
Edição
11 / 24
Ano
2020
DOI
10.26694/pensando.v11i24.10309
Páginas
226-230
Idioma
pt
2020Maurício Fernandes. ECOS SOBRE O FIM E A TERRA NENHUMA COMO DESTINO PRÓXIMO: Resenha de um Quase Manifesto. PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA, v. 11, n. 24, p. 226-230, 2020.1

Em meio ao cenário de temor causado pelo avanço do novo coronavírus (COVID-19) pelo mundo, e um período marcado pelo isolamento social como forma de retardar este avanço que já deixou um rastro nefasto em países como a China, Itália e, mais recentemente, os EUA - ambos com números de casos confirmados e óbitos em escala exponencial. Neste cenário marcado pela incerteza e temor imposto pela pandemia, temos a publicação da obra Terra Nenhuma, uma obra direta, clara e incisiva sobre problemas em um âmbito global que nos afetam já há alguns séculos, mas que são constantemente varridos para debaixo do tapete sob os desígnios da economia e dos impulsos do Capitalismo em sua forma atual. A obra é composta de três artigos: Tempo e Mundo Nenhum de Thiago Vasconcelos, Ecopornografia e Responsabilidade de Jelson Oliveira, e Cassandra: A Voz do Fim de Nathalie Frogneux. Ambos transitam em um cenário marcado pela atualidade da obra de Hans Jonas e sua heurística do temor, procurando evidenciar a emergência de nossa época, os desafios e os perigos postos em nosso horizonte próximo como resultados de nossa ação sobre o mundo. A obra, em tom quase de manifesto, recoloca o problema da ameaça de extinção em decorrência da ação humana sobre o planeta. Assim como o próprio Hans Jonas, os autores podem ser situados em um ambiente marcado pelo catastrofismo que dá o tônus da obra. Já na introdução se localiza conceitualmente a Terra Nenhuma, suas dimensões e aspectos. Os autores fazem referência à obra de David Wallace-Wells, A Terra Inabitável: Uma História do Futuro (2019), como um alerta que ecoa também em Terra Nenhuma: “Caminhamos para uma terra inabitável” (p. 09). Os autores procuram, em uma leitura densa e de fôlego, apontar para os mais variados aspectos da terra nenhuma, aspectos estes nos quais são costurados passado e presente, o local e o global, terra nenhuma é todo o globo, é onde pisamos e onde agimos.