Ensino, filosofia e emancipação: entre Sócrates e Jacotot em O mestre ignorante
Luiz Maurício Bentim da Rocha Menezes, Marcelo Senna Guimarães
- Autor
- Luiz Maurício Bentim da Rocha Menezes, Marcelo Senna Guimarães
- Revista
- Argumentos - Revista de Filosofia
- Edição
- 18 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.36517/arf.v18i1.96395
- Páginas
- 138-152
- Idioma
- pt
Este artigo investiga a relação entre ensino, filosofia e emancipação a partir da obra “O Mestre Ignorante”, de Jacques Rancière, e da figura de Joseph Jacotot. Partindo do conceito de emancipação intelectual e do princípio da igualdade das inteligências, propõe-se um diálogo crítico com a tradição platônica, particularmente com a alegoria da Caverna e o método socrático presente no “Mênon”. O trabalho estrutura-se em três momentos: primeiro, examina-se a distinção entre emancipação e embrutecimento no processo educativo, demonstrando como a pedagogia explicadora institui um círculo de impotência ao pressupor a desigualdade das inteligências; segundo, analisa-se a figura de Sócrates como mestre, investigando a ambiguidade de seu papel — ora embrutecedor do escravo, ora condutor de Mênon à aporía — e questionando se a refutação socrática constitui genuína emancipação ou forma velada de condução da inteligência alheia; terceiro, revisita-se a alegoria da Caverna sob a perspectiva da emancipação, distinguindo os diferentes tipos de mestres que nela figuram. Conclui-se que, embora a emancipação social permaneça problemática, a emancipação intelectual individual é possível quando se parte do princípio da igualdade das inteligências, abrindo caminhos para que cada indivíduo trilhe suas próprias aventuras intelectuais.
