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ENTRE O COMENTAR E O (DES)INFORMAR: INTERAÇÕES DISCURSIVAS SOBRE O TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA NO INSTAGRAM

Karine Viana Amorim, Manassés Morais Xavier

Autor
Karine Viana Amorim, Manassés Morais Xavier
Revista
Saberes: Revista interdisciplinar de Filosofia e Educação
Edição
25 / 2
Ano
2025
DOI
10.21680/1984-3879.2025v25n2ID42017
Páginas
BHK15
Idioma
pt
2025Karine Viana Amorim, Manassés Morais Xavier. ENTRE O COMENTAR E O (DES)INFORMAR: INTERAÇÕES DISCURSIVAS SOBRE O TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA NO INSTAGRAM. Saberes: Revista interdisciplinar de Filosofia e Educação, v. 25, n. 2, p. BHK15, 2025.3

Este estudo tem como objetivo analisar como as interações discursivas em comentários online no Instagram constroem sentidos sobre o Transtorno de Ansiedade Generalizada, evidenciando as tensões entre informação e desinformação na circulação de discursos sobre saúde mental. Inserida no contexto da cultura digital, a pesquisa parte do entendimento de que o Instagram se configura como um espaço de visibilidade emocional e de disputa simbólica, no qual diferentes vozes se cruzam na produção de significados sobre o sofrimento psíquico. A fundamentação teórica ancora-se na perspectiva da Teoria Dialógica da Linguagem (Bakhtin 2010 [1986]; 2016 [1952/1953]), que compreende o enunciado como resposta situada e valorada, e em autores como Lemos e Di Felice (2014), Primo (2016) e Recuero (2024), que refletem sobre as dinâmicas de circulação, engajamento e (des)informação nas redes sociais digitais. Metodologicamente, o estudo adota uma abordagem qualitativa e interpretativa, analisando comentários públicos em postagens do psicólogo Alexandre Coimbra e da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, selecionadas pela ampla visibilidade e engajamento. Os resultados apontam que os sentidos sobre o Transtorno de Ansiedade Generalizada emergem de processos de negociação simbólica em que se entrelaçam discursos da ciência, da experiência e do senso comum. Observou-se que o discurso médico especializado, ao ser ressignificado no Instagram, tende a ser simplificado e afetivamente reinterpretado, o que torna tênue a fronteira entre o informar e o desinformar. As interações revelam disputas de autoridade discursiva e mostram que o conhecimento sobre saúde mental é produzido de modo coletivo, permeado por valores, afetos e crenças.