ENTRE PLATÃO E SARAMAGO: UMA LEITURA DESMONDIANA DA RELAÇÃO ENTRE A FILOSOFIA, O MITO E O POÉTICO ATRAVÉS DA METÁFORA DA CAVERNA
José Carlos Aguiar de Souza, Clésio Rodrigues Marques
- Autor
- José Carlos Aguiar de Souza, Clésio Rodrigues Marques
- Revista
- Sapere Aude
- Edição
- 7 / 13
- Ano
- 2016
- DOI
- 10.5752/P.2177-6342.2016v7n13p359
- Páginas
- 359-375
- Idioma
- pt
O presente artigo visa abordar a problemática da identidade e relevância da filosofia explorando a sua relação com literatura, através da abordagem de William Desmond. O que é a filosofia? A questão é levantada à maioria das vezes de modo meramente abstrato, como se fosse possível isolar a filosofia de sua interação com os seus outros. Num certo sentido, afirma Desmond, não existe "filosofia pura"; o pensamento filosófico não pode apenas pensar-a-si-mesmo, mas tem que se abrir para uma intermediação respeitosa com os seus outros. A filosofia é uma participante da comunidade metaxológica do ser. Ao intermediar com os seus outros, estes se tornam cruciais para a constituição do próprio discurso filosófico. Platão, segundo Desmond, é um dos filósofos que manteve o pensamento aberto ao espaço intermediário do ser. Ele é um pensador plurívoco, para quem a filosofia não era apenas uma mera disciplina acadêmica dentre outras. Existe uma abertura presente no pensamento platônico para a alteridade recalcitrante expressa no mito, na literatura e na poesia. Ao explorar "o mito da caverna" de Platão em diálogo com o poeta português Saramago, em sua obra A Caverna discutiremos a abertura de Platão para os outros significativos do próprio discurso dos filósofos.
