- Autor
- Ernani Chaves
- Revista
- Argumentos - Revista de Filosofia
- Edição
- 17 / 1
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.36517/arf.v17i1.95847
- Páginas
- 97-107
- Idioma
- pt
Este artigo pretende fazer uma primeira explicitação da crítica de Foucault às teses de Marcuse a propósito das relações entre capitalismo e repressão sexual. Para tanto, procuramos reconstituir a gênese dessa crítica, em especial aquelas que aparecem no primeiro volume da História da sexualidade, de 1976, e que foram bastante comentadas. Tal gênese nos remete ao curso que Foucault ministra em Vincennes no primeiro semestre de 1969 e que só foram publicados na França em 2018 e no Brasil em 2021. Nesse curso, entre outros assuntos, Foucault discute criticamente a ideia de uma “utopia sexual” concomitante a do fim do capitalismo e, ao mesmo tempo refuta o posicionamento de Marcuse em relação à concepção de perversão. Segundo Foucault, tal posicionamento acabaria por desvirtuar a concepção freudiana de “perversão” em prol da ideia de uma sexualidade sadia e normalizada. Nessa perspectiva, a utopia sexual surgida nos anos 1960 e que ganhou sua máxima expressão no movimento de maio de 1968, não passaria de uma utopia conciliadora, que abandona toda ideia de transgressão.
