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EXPERIÊNCIAS MÍSTICAS E A HIPÓTESE MCI: Limitações da ciência cognitiva da religião ao explicar crenças místicas

Veronica Campos, Daniel de Luca-Noronha

Autor
Veronica Campos, Daniel de Luca-Noronha
Revista
Sapere Aude
Edição
16 / 32
Ano
2025
DOI
10.5752/P.2177-6342.2025v16n32p714-731
Páginas
714-731
Idioma
en
2025Veronica Campos, Daniel de Luca-Noronha. EXPERIÊNCIAS MÍSTICAS E A HIPÓTESE MCI: Limitações da ciência cognitiva da religião ao explicar crenças místicas. Sapere Aude, v. 16, n. 32, p. 714-731, 2025.1

Neste artigo é apresentado um argumento contra uma das principais teorias na ciência cognitiva da religião, a Hipótese da Contraintuitividade Mínima (MCI). A hipótese MCI explica a aderência de crenças religiosas em função do grau de contraintuitividade dos conceitos que figuram em seu conteúdo. De acordo com a hipótese MCI, as crenças religiosas são aderentes porque utilizam conceitos que são moderadamente contraintuitivos, ou seja, conceitos que quebram um pequeno número das nossas expectativas naturais sobre o mundo. Afirmamos que esta explicação é hipercognitivista: ela negligencia o papel dos estados não-cognitivos na explicação da adesão. Embora a hipótese MCI possa explicar eficazmente a aderência de algumas crenças religiosas, há crenças religiosas cuja aderência parece ser muito melhor explicada por referência a emoções e sentimentos, sobre os quais a hipótese MCI é omissa. Um exemplo, sustentamos, é o das crenças motivadas por experiências místicas, cuja aderência não parece ser explicada satisfatoriamente sem referência aos estados afetivos presentes na experiência.