EXTERIORIZAÇÃO: o fenômeno psicológico na filosofia da psicologia de Wittgenstein
João Henrique Lima Almeida
- Autor
- João Henrique Lima Almeida
- Revista
- PÓLEMOS – Revista de Estudantes de Filosofia da Universidade de Brasília
- Edição
- 12 / 25
- Ano
- 2023
- DOI
- 10.26512/pl.v12i25.48070
- Páginas
- 303 - 320
- Idioma
- pt
Objeta-se, primeiramente, uma imagem persuasiva do interior como uma entidade demarcada do exterior por critérios metafísicos ou empíricos. A análise gramatical de Wittgenstein anuvia as fronteiras entre ambos os conceitos que apenas podem encontrar demarcação através de investigações lógicas. O que chamamos de interior frequentemente está manifesto e é na exterioridade que encontramos critérios para sua conceituação. Uma daquelas investigações ocorre através da análise de sentenças que enunciam fenômenos mentais, psicológicos ou anímicos, que são profundamente assimétricas entre primeira e terceira pessoa. Em primeira pessoa, essas sentenças exteriorizam o anímico. É justamente pelo fato do anímico estar exteriorizado no comportamento que a ciência psicológica é possível. Não se trata de considerar o anímico, os acontecimentos psíquicos ou vivências, como objetos similares aos físicos, que são inspecionados e relatados pelo sujeito, nem de considerar o comportamento em si como objeto físico e objeto científico da Psicologia. O que se coloca como possibilidade científica para uma Psicologia a partir de Wittgenstein é o próprio estudo das exteriorizações como forma de inserção do anímico na linguagem.
