“FALAR MENOS, VIVER MAIS”: A CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO ARISTOCRÁTICO NO DISCURSO ESTOICO
João Kogawa
- Autor
- João Kogawa
- Revista
- Prometeus - Journal of Philosophy
- Edição
- 18 / 50
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.52052/issn.2176-5960.pro.v18i50.24943
- Idioma
- pt
O presente artigo analisa a injuntividade no Encheiridion de Epicteto para rastrear regras de formação da posição-sujeito aristocrática no discurso estoico. Nesse sentido, a constituição do sujeito aristocrático implica a contraposição entre uma filosofia de formação, presente no estoicismo, e uma filosofia crítica, própria da modernidade. Enquanto a primeira centra-se no dever, na economia e na ascese intramundana, a segunda, que gestou o sujeito democrático, pauta-se no querer, na liberdade de expressão e no direito. Enquanto a democracia associa-se à retórica e à judicialização, a timocracia e o estoicismo valorizam a economia da palavra e o dever. Pela análise de verbos discendi no imperativo, o discurso estoico, em geral, e o Encheiridion de Epicteto, em particular, conciliam filosofia e religião, o que resulta em uma ética do silêncio e do autodomínio para o cuidado de si. A injunção, longe de ser impositiva, funciona nos moldes de um aconselhamento para a formação de um sujeito abstinente e racional quanto ao uso da palavra, em contraste com a expressividade típica dos cidadãos formados pelas crenças democráticas.
