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FAZ SENTIDO UM PARALELO ENTRE NIETZSCHE E A METAFÍSICA?

Robert Brenner Barreto da Silva

Autor
Robert Brenner Barreto da Silva
Revista
Lampejo - Revista Eletrônica de Filosofia
Ano
2021
Idioma
pt-BR
2021Robert Brenner Barreto da Silva. FAZ SENTIDO UM PARALELO ENTRE NIETZSCHE E A METAFÍSICA?. Lampejo - Revista Eletrônica de Filosofia, 2021.1

A vastidão de temas e o estilo agudo com o qual Nietzsche expressa seus pensamentos contribui para que ele seja estudado em múltiplos campos de investigação, não sendo trivial seu aproveitamento na literatura, estética, psicanálise, antropologia, teologia, ciências da religião e assim por diante. Quando se trata de áreas mais duras da tradição filosófica, tais como a epistemologia e, sobretudo, a metafísica, costuma-se destacar apenas a natureza crítica de suas reflexões. Isto é, fala-se de Nietzsche como sendo um antimetafísico. Do ponto de vista da história da filosofia, é recorrente e profícua a interface entre o supracitado e a hermenêutica e o existencialismo. A rigor, nessa perspectiva, é no mínimo incomum a referência a Nietzsche, em um sentido positivo, como um dos expoentes de um pensamento metafísico. Em verdade, prima facie seria um contrassenso afirmar que em sua filosofia há algum projeto ou pretensão metafísica. Na esteira do que alude Müller (1997), Mota (2009), Oliveira (2014), no entanto, a respeito de haver um teor metafísico presente no conceito nietzschiano de vontade de potência, almejo refletir, tendo por base o aforismo 36§ do capítulo “Espírito Livre” de Além do Bem do Mal, sobre a viabilidade de se realizar paralelos entre a compreensão de Nietzsche – mormente expressa através da vontade de potência – e uma reflexão de ordem metafísica. Para tal, devese explicitar o que se entende por metafísica, qual a que o filósofo critica e de que modo o paralelo seria possível, isto é, em quais termos e limites.