Foucault e o novo cinema do Recife: crítica do dispositivo da sexualidade e novas formas de vida em comum
André de Macedo Duarte, Maria Rita de Assis César
- Autor
- André de Macedo Duarte, Maria Rita de Assis César
- Revista
- Argumentos - Revista de Filosofia
- Edição
- 17 / 1
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.36517/arf.v17i1.95421
- Páginas
- 202-214
- Idioma
- pt
O texto estabelece um diálogo entre as noções foucaultianas de dispositivo da sexualidade, heterotopia e parresia cínica e dois filmes do novo cinema de Recife, Febre do Rato, de Claudio Assis (2011), e Tatuagem, de Hilton Lacerda (2012). Trata-se de recorrer à obra foucaultiana para compreender certos aspectos centrais daqueles dois filmes, bem como de recorrer aos filmes para testar a hipótese de que as análises derradeiras de Foucault sobre a estética da existência dos cínicos constituiriam um contraponto crítico à sua anterior discussão dos processos de captura de corpos e de condutas sexuais pelo moderno dispositivo da sexualidade na modernidade. Os dois filmes parecem conferir plausibilidade àquela hipótese, pois são exemplos de manifestação corajosa de uma vida-outra e de uma verdade que se opõem aos mecanismos modernos de disciplinamento e governamento de corpos e de condutas sexuais. Enquanto espaços comunitários heterotópicos que conferem centralidade aos corpos e prazeres, os dois filmes ainda nos permitem compreender o contra-poder de movimentos minoritários de inspiração queer.
