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George Berkeley e a tradição platônica

Costica Bradatan, Jaimir Conte

Autor
Costica Bradatan, Jaimir Conte
Revista
Princípios: Revista de Filosofia (UFRN)
Edição
16 / 26
Ano
2010
Páginas
257-284
Idioma
pt
2010Costica Bradatan, Jaimir Conte. George Berkeley e a tradição platônica. Princípios: Revista de Filosofia (UFRN), v. 16, n. 26, p. 257-284, 2010.1

 Existe já uma grande quantidade de literatura dedicada à presença na filosofia inicial de Berkeley de alguns assuntos tipicamente platônicos (arquétipos, o problema da mente de Deus, a relaçáo entre ideias e coisas, etc.). Baseados em alguns desses escritos, nas próprias palavras de Berkeley, assim como no exame de alguns elementos da tradiçáo platônica num amplo sentido, sugiro que, longe de serem apenas tópicos isolados, livremente espalhados nos primeiros escritos de Berkeley, eles formam uma perfeita rede de aspectos, atitudes e modos de pensar platônicos, e que, por mais alusivos ou ambíguos que esses elementos platônicos possam parecer, eles constituem um todo coerente e complexo, desempenhando um papel importante na formaçáo da própria essência do pensamento de Berkeley. Em outras palavras, sugiro que, dadas algumas das ideias apresentadas em suas primeiras obras, foi de certo modo inevitável para George Berkeley, em virtude da lógica interna do desenvolvimento de seu pensamento, chegar a uma obra táo abertamente platônica e especulativa como Siris (1744).