- Autor
- Renato Nunes Bittencourt
- Revista
- Revista Dissertatio de Filosofia
- Edição
- 49
- Ano
- 2019
- DOI
- 10.15210/dissertatio.v49i0.11303
- Páginas
- 246-259
- Idioma
- pt
Neste texto realizamos uma interpretação acerca do valor ético do trabalho na obra de Hesíodo como um modo do ser humano desenvolver em termos práticos a prédica helênica da justa medida, de tal forma que o homem agrade aos olhares divinos. Para Hesíodo, o trabalho não é apenas o meio justo de se conseguir riqueza, mas também o processo que granjeia a estima dos deuses através do esforço dispendido nas atividades cotidianas, enquanto que o ato de não trabalhar torna-se algo aviltante e motivo de vergonha. A competitividade é fundamental para o estímulo pessoal por superação das suas limitações. O tempo não pode ser desperdiçado com coisas inúteis e a procrastinação é considerada um ato ruim. Apresentamos, mediante leitura da obra de Hesíodo, uma série de indícios que, em com a devida licença, fazem-no um antecipador dos parâmetros éticos do empreendedorismo capitalista em suas bases protestantes.
