- Autor
- Moreno Paulon
- Revista
- Princípios: Revista de Filosofia (UFRN)
- Edição
- 32 / 68
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.21680/1983-2109.2025v32n68ID35316
- Idioma
- pt
Na sua teoria do sagrado, o historiador da religião Ernesto De Martino (1908-1965) descreveu o mito e a ritualidade como respostas culturais a problemas existenciais. Analizando as práticas religiosas do punto de vista de uma psicologia social pragmática e funcionalista, as técnica mágico-rituais são descritas como dispositivos de defesa capazes de proteger a “presença”, ou seja o poder de decisão e escolha de acordo com valores. Perante as crises da vida, o ser humano recorreria a modelos operacionais historicamente consolidados dentro de uma comunidade, dispositivos de ação através dos quais conduzir uma iniciativa de resposta para lidar com uma dificuldade contingente. Desta maneira, contorna o risco de desintegração psicológica, a queda no arbítrio pânico, a pantoclastia relativista e a desorientação num mundo que não lhe é mais semelhante, com o qual não é possível estabelecer diálogo. Este diálogo procura o símbolo como canal de comunicação. O artigo oferece uma síntese dos principais momentos da reflexão de De Martino e uma justaposição de sua interpretação com os modelos teóricos de Sigmund Freud, Carl Jung, Mircea Eliade e Rudolph Otto.
