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Ignorância do outro e ignorância de si: sobre a falta de historicidade e rigor acadêmico da concepção hegemônica da história da filosofia: Ignorance of the other and self-ignorance: On the lack of historicity and academic rigor in the hegemonic conception of the history of philosophy

Lucas Nascimento Machado

Autor
Lucas Nascimento Machado
Revista
Modernos & Contemporâneos - International Journal of Philosophy [issn 2595-1211]
Edição
9 / 20
Ano
2025
Páginas
98-121
Idioma
pt-BR
2025Lucas Nascimento Machado. Ignorância do outro e ignorância de si: sobre a falta de historicidade e rigor acadêmico da concepção hegemônica da história da filosofia: Ignorance of the other and self-ignorance: On the lack of historicity and academic rigor in the hegemonic conception of the history of philosophy. Modernos & Contemporâneos - International Journal of Philosophy [issn 2595-1211], v. 9, n. 20, p. 98-121, 2025.1

Em nosso artigo, buscamos mostrar como a concepção hegemônica da filosofia e de sua história, a saber, aquela segundo a qual a filosofia só teria surgido na Grécia e seria exclusivamente ocidental, é baseada, fundamentalmente, em duas ignorâncias: uma ignorância do outro e uma ignorância de si. Em relação à ignorância do outro, buscamos mostrar como aqueles que defendem a concepção hegemônica de filosofia não se baseiam em nenhum estudo acadêmico rigoroso de tradições não-ocidentais, fazendo afirmações sobre a diferença delas em relação à “filosofia ocidental” que são ancoradas em uma compreensão de senso comum sobre elas e em uma leitura inexistente ou extremamente superficial da produção intelectual dessas culturas. Em relação à ignorância sobre si mesmo, buscamos mostrar como aqueles que defendem a concepção hegemônica da filosofia e de sua história tratam essa concepção como uma espécie de “verdade eterna” sobre a filosofia, ignorando que essa concepção surge e se consolida em um momento histórico bastante preciso e recente, de modo que não retrata fielmente como a própria filosofia “ocidental” compreendeu e concebeu a si mesma e à filosofia ao longo da história. Assim, buscamos mostrar que as principais razões para a concepção hegemônica da filosofia ter se consolidado são de ordem ideológica, e não em razão de algum suposto rigor histórico que ela demonstraria, já que, muito pelo contrário, tal rigor lhe falta inteiramente. Desse modo, esperamos estabelecer que faz-se urgente a necessidade de conduzir o debate sobre a filosofia e sua história de modo academicamente sério e rigoroso, não apoiado em percepções imprecisas e de senso comum sobre tradições não-ocidentais, assim como sobre a própria tradição filosófica “ocidental”. Palavras-chave: Filosofia, História da Filosofia, Ignorância de Si, Ignorância do Outro, Rigor Acadêmico