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Injustiça testemunhal em Recordações do escrivão Isaías Caminha: um estudo sobre os efeitos dos vícios epistêmicos

José Renato Salatiel

Autor
José Renato Salatiel
Revista
Argumentos - Revista de Filosofia
Edição
25
Ano
2021
DOI
10.36517/Argumentos..25.61507
Páginas
248-260
Idioma
pt
2021José Renato Salatiel. Injustiça testemunhal em Recordações do escrivão Isaías Caminha: um estudo sobre os efeitos dos vícios epistêmicos. Argumentos - Revista de Filosofia, n. 25, p. 248-260, 2021.1

Neste artigo argumentamos que a injustiça testemunhal, conforme teorizada por Fricker (2007), é uma categoria de vício epistêmico cujos efeitos prejudiciais são muito mais vastos e profundos sobre a vida intelectual. Para isso, analisamos casos de injustiça testemunhal causados por preconceito racial no romance Recordações do escrivão Isaías Caminha (1909), do escritor carioca Lima Barreto. O objetivo é mostrar como a injustiça testemunhal, entendida como um tipo de vício epistêmico, pode ter consequências negativas que afetam não somente os processos de inquirição, mas valores humanos. O presente artigo divide-se em duas seções. Na primeira classificamos a injustiça epistêmica como um tipo de vício epistêmico a partir da perspectiva de seus efeitos, com base nas obras de Fricker e Cassam (2019). A segunda seção é dedicada ao exame do referido romance de Lima Barreto, visando uma aplicação prática das teorias discutidas na seção anterior.