Voltar para Artigos
Artigos

Insensata, ela é insensata: uma reflexão foucaultiana sobre as mulheres-monstro

Cassiana Lopes Stephan

Autor
Cassiana Lopes Stephan
Revista
Argumentos - Revista de Filosofia
Edição
17 / 1
Ano
2025
DOI
10.36517/arf.v17i1.95839
Páginas
64-81
Idioma
pt
2025Cassiana Lopes Stephan. Insensata, ela é insensata: uma reflexão foucaultiana sobre as mulheres-monstro. Argumentos - Revista de Filosofia, v. 17, n. 1, p. 64-81, 2025.1

No presente ensaio, minha intenção é a de indicar, com base nas reflexões de Michel Foucault, a potência daquilo que foi historicamente atribuído a um estado de loucura, sobretudo no caso das mulheres. Em vista de tal objetivo, este texto se divide em duas grandes partes. Na primeira parte, retomo rapidamente a compreensão foucaultiana dos deslocamentos históricos atinentes à caracterização da loucura para, em seguida, indicar a possível relação entre a demonização das mulheres na Idade Média e a histerização de seus corpos na Modernidade. Na segunda parte, articulo as análises de Foucault sobre a loucura, a sexualidade e a crítica na intenção de pensar as mulheres-monstro no filme Possession, dirigido e roteirizado por Andrzej Zulawski, e na obra A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector. A partir desses enredos contra-realistas, tento mostrar que a loucura das personagens das duas tramas, respectivamente Anna e G.H., possui uma razão de ser, uma razão que não se refere à racionalidade analítica e substancial do homem sensato.