Voltar para Artigos
Artigos

Introdução à perspectiva ficcionalista na filosofia da matemática

Marco Aurélio Sousa Alves, José Henrique Fonseca Franco

Autor
Marco Aurélio Sousa Alves, José Henrique Fonseca Franco
Revista
Perspectivas
Edição
7 / 2
Ano
2023
DOI
10.20873/rpv7n2-56
Páginas
330-346
Idioma
pt
2023Marco Aurélio Sousa Alves, José Henrique Fonseca Franco. Introdução à perspectiva ficcionalista na filosofia da matemática. Perspectivas, v. 7, n. 2, p. 330-346, 2023.2

O ficcionalismo, geralmente classificado como um tipo de nominalismo, apresenta como perspectiva precípua a tese de que os entes matemáticos são ficções. Para o ficcionalista, o discurso matemático é desprovido de conteúdo. Hartry Field, que é o principal defensor dessa concepção ontológica da matemática, contesta, em Science Without Numbers, a utilização de entes matemáticos na redação de teorias da física, alegando que a defesa mais plausível do realismo ontológico matemático é o argumento da indispensabilidade de Quine-Putnam. O ficcionalismo defendido por Field nos permite, de acordo com Shapiro, classificá-lo no grupo filosofia-primeiro, ou seja, entre os filósofos que defendem que a filosofia deve ser responsável por legislar a respeito da prática matemática. Dessa forma, podemos considerar Field um revisionista epistemológico. Como se sabe, a dependência da ciência moderna em relação ao discurso matemático coloca a tese ficcionalista em xeque. Ainda assim, se partirmos dos pressupostos filosóficos da vertente formalista da filosofia da matemática, que concebe a matemática como constituída de um conjunto de regras sem significado que podem ser manipuladas de maneira puramente sintática, poderemos traçar importantes analogias entre matemática e ficção, tal como também entre metamatemática e metaficção. Para um formalista simpático à tese ficcionalista, o estatuto ontológico da matemática é semelhante ao das regras de um jogo de xadrez.