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Judith Butler: Um formidável “erro” de tradução (segunda parte)

Jerônimo Milone

Autor
Jerônimo Milone
Revista
Veritas (Porto Alegre)
Edição
65 / 3
Ano
2021
DOI
10.15448/1984-6746.2020.3.38662
Páginas
e38662
Idioma
pt
2021Jerônimo Milone. Judith Butler: Um formidável “erro” de tradução (segunda parte). Veritas (Porto Alegre), v. 65, n. 3, p. e38662, 2021.2

  O presente artigo debruça-se sobre a tradução argentina do livro Who Sings the Nation-State? de Butler e Spivak. Colocando em questão a relação entre tradução e hino nacional para sublinhar o possível nacionalismo atinente a determinadas manifestações políticas, esse mesmo livro, não obstante a sua própria advertência sobre a necessidade de incli-nação para cantar o hino, “erra” a grafia de “Il [sic] pueblo unido jamás sera [sic] vencido” ao citá-lo. Entretanto, será esse o caso de um “erro” deliberado, de uma contradição performativa? Com que incli-nação Butler terá citado essa canção? E o que poderia significar o fato de que, havendo suspeita de nacionalismo de um lado, de outro parece não haver, pois o tradutor da edição argentina “corrige” esses erros e, ao mesmo tempo, testemunha, em nota de rodapé, que estão “En español en el original”? Analisando esses impasses da tradução, o artigo pretende indicar a contundência política que há na tarefa do tradutor e nas formas com que a literatura infringe as gramáticas.