- Autor
- Juan Cruz Cruz
- Revista
- Veritas (Porto Alegre)
- Edição
- 54 / 3
- Ano
- 2009
- DOI
- 10.15448/1984-6746.2009.3.6414
- Idioma
- pt
Quando um grande pensador da Era de Ouro espanhola, tal qual Vitoria, Molina ou Suárez, questiona sobre a causa fundamental que justifica uma lícita declaração de guerra, a “injúria” é incluída como uma dessas causas. Aqui, “injúria” é entendida como uma infração de um direito, uma injustiça cometida e pela qual a reparação não foi feita. Dentre as injúrias que podem licitamente ser consideradas uma justificativa para a guerra, há o “insulto à honra”, especialmente à honra da Nação e à honra do Soberano. A dificuldade em aceitar essa justificativa para a guerra reside em fazer uma separação entre o interesse do Soberano e o interesse do povo, i.e., os homens que compõem a comunidade, que são os depositários imediatos do poder. Para esses pensadores, a honra é sempre possuída pelo povo. E isso porque um Estado, uma Nação, um povo tem o direito de desfrutar o respeito por suas instituições, leis e costumes, tal qual uma parte integral de sua própria vida.
