- Autor
- Luiz Fernando Pires Dias
- Revista
- Sapere Aude
- Edição
- 10 / 20
- Ano
- 2019
- DOI
- 10.5752/P.2177-6342.2019v10n20p557-577
- Páginas
- 557-577
- Idioma
- pt
Este artigo examina a utilização do discurso como instrumento de poder, dominação e violência, através da perspectiva de Emanuel Lévinas, filósofo lituano, que buscou um novo sentido para o humano, fora dos domínios do ser, pensando a ética como Filosofia Primeira. O estudo está alicerçado nas análises que o filósofo da Alteridade desenvolveu em relação a dois fenômenos político-históricos: a gênese da ideologia hitlerista e a ambiguidade retórica ocorrida no processo de desestalinização da antiga União Soviética. Suas considerações constituem importantes subsídios à compreensão do cenário de intolerância, polarização de ideias e consequente ausência de diálogo que hoje vivenciamos. Refletimos, também, sobre a questão da linguagem em Lévinas, concepção desenvolvida através de uma crítica contundente à primazia da ontologia no pensamento ocidental, que privilegiou a síntese redutora e totalizante da realidade, suprimindo o espaço à alteridade. Lévinas procurou seus referenciais na ética, no encontro humano, na nudez do rosto que, como palavra vivente, investe o homem da responsabilidade pelo seu próximo.
