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MAQUIAVEL VERSUS ROUSSEAU: AS DIVISÕES SOCIAIS E SEU PAPEL EM UMA REPÚBLICA BEM-ORDENADA

Renato MOSCATELI

Autor
Renato MOSCATELI
Revista
Trans/Form/Ação
Edição
38 / Special
Ano
2015
DOI
10.1590/S0101-317320150004000011
Idioma
pt
2015Renato MOSCATELI. MAQUIAVEL VERSUS ROUSSEAU: AS DIVISÕES SOCIAIS E SEU PAPEL EM UMA REPÚBLICA BEM-ORDENADA. Trans/Form/Ação, v. 38, n. Special, 2015.1

As relações de conflito entre os grupos sociais constituem um tópico relevante para a filosofia política, e as maneiras distintas como elas são interpretadas dependem de uma visão mais ampla sobre as condições apropriadas a um Estado bem-ordenado. Maquiavel, por exemplo, ao refletir sobre o caso da Roma Antiga, procurou refutar aqueles que condenavam os tumultos entre os nobres e a plebe da cidade, como se eles tivessem provocado apenas males à república. Para o autor, tais tumultos estavam entre as principais causas da liberdade romana, visto que a diferença nos “humores” dos grandes e do povo resultou em embates que deram origem às leis favoráveis à liberdade. Rousseau, por sua vez, descreveu a existência de “associações particulares” dentro da sociedade civil como algo potencialmente nocivo à harmonia da república, pois cada uma delas contém um interesse particular passível de se sobrepor ao bem comum, nas deliberações públicas, prejudicando o prevalecimento da vontade geral. Ainda para o genebrino, a ocorrência de longos debates e de tumultos nas assembleias populares poderia ser um sinal de divisões internas capazes de ocasionar a ruína do Estado. Frente a essas duas maneiras de conceber o papel político dos conflitos sociais, o objetivo deste trabalho é realizar uma análise comparativa das ideias de Maquiavel e de Rousseau.