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Mau humor ou humor mau? Dois problemas na ética do humor

João Pinheiro da Silva

Autor
João Pinheiro da Silva
Revista
ethic@ - An international Journal for Moral Philosophy
Edição
19 / 3
Ano
2020
DOI
10.5007/1677-2954.2020v19n3p811
Páginas
811-830
Idioma
pt
2020João Pinheiro da Silva. Mau humor ou humor mau? Dois problemas na ética do humor. ethic@ - An international Journal for Moral Philosophy, v. 19, n. 3, p. 811-830, 2020.1

O “fenômeno humorístico” deve ser entendido enquanto o exercício do “olhar humorístico”. Este busca uma distância estética que permite a formulação de incongruências num determinado jogo social onde as normas sociais e linguísticas comuns são violadas com o objetivo de produzir o “gosto humorístico”. Ou seja, o “fenômeno humorístico” realiza-se num determinado jogo humorístico que, como tal, requer um terceiro, um interlocutor. A análise ética do presente artigo foca-se nos dois agentes do jogo humorístico através de dois casos: o mau humor, que pode ser manifestado pelo interlocutor; e o humor mau, que pode ser manifestado pelo locutor. Propõe-se que um problema ético ignorado na filosofia do humor diz respeito ao interlocutor moralista que, por não conseguir manter a distância estética necessária ao fenômeno humorístico, tenta categorizá-lo em termos éticos e julgar a atitude moral do locutor. Por outro lado, podemos encontrar um problema simétrico: o locutor que, por não entender as características necessárias ao jogo humorístico, não consegue criar o ambiente necessário para que este ocorra. Estes problemas devem ser entendidos, contudo, na sua complexidade e sem deixar de ter em conta os comummente ignorados aspetos positivos do humor.