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MEMÓRIAS LITERÁRIAS AFRO-AMERÍNDIAS E DIASPÓRICAS NA ELABORAÇÃO DE UMA ESCRITA DECOLONIAL

Aline de Oliveira Rosa

Autor
Aline de Oliveira Rosa
Revista
Lampejo - Revista Eletrônica de Filosofia
Ano
2021
Idioma
pt-BR
2021Aline de Oliveira Rosa. MEMÓRIAS LITERÁRIAS AFRO-AMERÍNDIAS E DIASPÓRICAS NA ELABORAÇÃO DE UMA ESCRITA DECOLONIAL. Lampejo - Revista Eletrônica de Filosofia, 2021.2

Quantas histórias já ouvimos que endossam discursos de gênero radicalizado e relações colonizadoras: “mulheres negras são boas parideiras”, “mulher negra não é pra casar”, “índio é preguiçoso”, “não houve resistência na colonização das Américas”? Sabemos que a língua, a história e suas narrativas produzem assujeitamentos de corpos, ideais regulatórios, marcadores de opressão, etc., uma violência colonial e que também epistemológica. O que aconteceria, portanto, se nossas bocas amordaçadas gritassem o silêncio de todos esses séculos? Neste artigo arrisco dizer que não há nada mais urgente do que criar um novo vocabulário, um outro modo de usar a boca, e mesmo de escrever, fugindo das restrições gramaticas que pesam sobre questões de gênero, sexualidade, raça e territorialidade - entendendo essas categorias imbricadas -, desmantelando as práticas discursivas moderno coloniais e exercendo a afirmação da subjetividade dos corpos afro ameríndios, ou como diz Lélia, amerifricanos. Esta é uma práxis que é ao mesmo tempo antirracista, decolonial e anti-imperialista, que visa reivindicar nosso lugar como sujeitos falantes e narradores da nossa própria história. Proponho uma escrita que é antes espontânea, ensaísta, ensaiando a si mesmo, ensaiando a própria língua,ou rompendo com ela ao inverter a lógica do discurso, mas que não perde sua seriedade com a filosofia e suas análises. Para tal, sugiro um diálogo com Ngozi Chimamanda, Silvia Rivera Cusicanqui, Grada Kilomba, Lélia Gonzalez, Maria Lugones, Toni Morrison, Carolina Maria de Jesus, entre outras vozes.