- Autor
- Ramon Maia
- Revista
- Sapere Aude
- Edição
- 15 / 29
- Ano
- 2024
- DOI
- 10.5752/P.2177-6342.2024v15n29p156-173
- Páginas
- 156-173
- Idioma
- pt
Alexandre Kojève faz parte de uma brilhante geração de emigrados russos que se deslocaram para a Europa no contexto da Revolução de 1917. Os que leram a Introdução à leitura de Hegel de Kojève e conhecem apenas este seu livro, nada entendem sobre Hegel e, muito menos, sobre o conjunto do pensamento de ambos os autores. Neste ensaio, tomarei Kojève como centro de análise e como filósofo dotado de pensamento próprio, ainda que ele mesmo confesse, em muitas passagens dos seus livros, uma fidelidade a Hegel. Meu objetivo é mostrar que há uma filosofia política em seu pensamento baseada em noções como morte, desejo e direito. Tais noções, desenvolvidas por Kojève, entram em relação para a construção do edifício conceitual concebido como Estado universal e homogêneo, em que os indivíduos, depois de uma luta por puro prestígio, de vida ou morte, se reconhecem e se sentem realizados. A satisfação do orgulho obtida não é exatamente a felicidade, o prazer ou o bem-estar, mas, sim, a consciência da própria finitude.
