Voltar para Artigos
Artigos

Morte e música: manifestações antípodas do silêncio em Vladimir Jankélévitch

Clovis Salgado Gontijo

Autor
Clovis Salgado Gontijo
Revista
Revista Kriterion
Edição
65 / 159
Ano
2024
Páginas
e-45462
Idioma
pt
2024Clovis Salgado Gontijo. Morte e música: manifestações antípodas do silêncio em Vladimir Jankélévitch. Revista Kriterion, v. 65, n. 159, p. e-45462, 2024.2

Uma das respostas possíveis ao inexprimível é, sem dúvida, o silêncio. Contudo, se o inexprimível se revela, segundo Jankélévitch, em dois níveis antípodas, o inexprimível pela esterilidade (indizível) e o inexprimível pela fecundidade (inefável), os silêncios também se distinguiriam de acordo com sua pertença a um desses níveis. Este artigo pretende examinar os silêncios que se associam, respectivamente, à manifestação por excelência do indizível, a morte, e a uma manifestação privilegiada do inefável, a música. Assim, primeiramente, serão examinados, no âmbito da morte, o mutismo do morto, o vazio de uma filosofia sobre a morte e o silêncio diante do moribundo e do cadáver. Em segundo lugar, serão analisados, no tocante à arte sonora, o silêncio como reação à inefabilidade musical, o silêncio identificado à própria música e os silêncios que podem anteceder, integrar e suceder uma composição musical. A partir desse percurso, discutiremos o problema do silêncio absoluto, o parentesco entre as experiências musical e mística, a possibilidade de aproximação dos silêncios referentes aos dois níveis do inexprimível, assim como as diferenças qualitativas entre alguns dos silêncios identificados.