Mundanidade ou Multiplicidade? O embate entre Martin Heidegger e Markus Gabriel
Wagner Francesco, Gabriel Kafure da Rocha
- Autor
- Wagner Francesco, Gabriel Kafure da Rocha
- Revista
- Polymatheia - Revista de Filosofia
- Edição
- 19 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.52521/gz3d2313
- Idioma
- pt
O texto analisa como a concepção tradicional de mundo, herdada da metafísica clássica como um espaço ordenado, foi transformada no século XX. Martin Heidegger redefine o mundo não como uma soma de objetos, mas como "mundanidade": um horizonte de sentido prévio e um momento constitutivo do Dasein (ser-no-mundo). Para Heidegger, o mundo "mundifica" através de uma rede de remissões práticas onde os entes manuais ganham significado. Em contrapartida, Markus Gabriel defende a tese provocativa de que "o mundo não existe". Segundo sua ontologia dos "campos de sentido", algo existe apenas quando aparece dentro de um domínio contextual específico (como a matemática, a literatura ou a biologia). Gabriel argumenta que o "Mundo", entendido como uma totalidade que abarcaria todos os campos, é uma ilusão lógica, pois precisaria de um campo exterior a si mesmo para existir, o que geraria um regresso infinito. O ensaio conclui que a visão de Gabriel oferece uma ferramenta contra o reducionismo científico e o totalitarismo, validando a autonomia de diferentes esferas da realidade, como a arte e a religião.
