“Não é do poder do Príncipe examinar os segredos da alma”: Críticas aos regimes teológico-políticos ibéricos e defesa da liberdade de pensamento e de crença em Baruch de Spinoza e Manuel Fernandes de Vila Real
Hannah de Gregorio Leão
- Autor
- Hannah de Gregorio Leão
- Revista
- Revista Conatus - Filosofia de Spinoza (ISSN 1981-7509)
- Edição
- 16 / 27
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.52521/conatus.v16i27.13445
- Páginas
- 83-94
- Idioma
- pt
O presente artigo possui o objetivo de analisar as convergências e divergências sobre a defesa da liberdade de pensamento e de crença por Manuel Fernandes de Vila Real e Baruch de Spinoza, ambos com histórico familiar sefardita e críticos dos regimes teológico-políticos ibéricos. Em um primeiro momento, será abordada a influência do marranismo em Spinoza a partir de Uriel da Costa e Juan de Prado. Posteriormente, analisar-se-á o caso de Manuel Fernandes de Vila Real, cristão-novo e diplomata extraoficial de D. João IV, atuando na França, que foi processado e morto pela Inquisição de Lisboa em 1652. Vila Real, em sua obra “El Político Cristianíssimo”, critica a Inquisição e a superstição, defendendo que a liberdade de crença dos súditos não é prejudicial para a estabilidade do reino, o que evidencia interessantes ressonâncias com a defesa da liberdade de pensamento e a crítica ao teológico-político feita por Spinoza no “Tratado Teológico-Político”.
