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Narração e drama em Aristóteles

Luisa Severo Buarque de Holanda

Autor
Luisa Severo Buarque de Holanda
Revista
Artefilosofia
Edição
2 / 3
Ano
2007
Páginas
71-77
Idioma
pt
2007Luisa Severo Buarque de Holanda. Narração e drama em Aristóteles. Artefilosofia, v. 2, n. 3, p. 71-77, 2007.3

Aristóteles dedica grande parte da sua Poética à comparação entre poesia trágica e poesia épica, e à defesa da superioridade da primeira sobre a segunda. Um dos elementos comparativos é o fato de que, na poesia trágica, somos testemunhas da própria ação das personagens, ou seja, vemos agentes operando diretamente, enquanto que na poesia épica o narrador freqüentemente se posiciona entre o ouvinte e os fatos narrados. Tal distinção tem infl uência direta sobre a reação do espectador, ou do ouvinte, à poesia, pois tende a efetuar, em cada caso, uma aproximação ou um distanciamento das ações apresentadas. O presente trabalho pretende investigar em que medida as artes poéticas e, por extensão, outras artes miméticas tais como a pintura e a escultura, são capazes de realizar um duplo movimento de aproximação e de distanciamento entre os espectadores e o conteúdo representado pela obra. Para tanto, tomaremos como base tanto as observações de Poética IV quanto algumas passagens da Retórica aristotélica que se relacionam diretamente com o assunto.