Negatividade material e universalidade crítica: a reconstrução do político na Política da Libertação
Rayann Massahud
- Autor
- Rayann Massahud
- Revista
- Argumentos - Revista de Filosofia
- Edição
- 18 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.36517/arf.v18i1.96508
- Páginas
- 190-201
- Idioma
- pt
O artigo parte do diagnóstico dos limites estruturais da filosofia política moderna eurocêntrica, especialmente em suas vertentes liberal e procedimental, para sustentar que ela opera a partir de uma dupla insuficiência: a abstração da materialidade da vida como critério normativo e a universalização indevida da experiência histórica do Norte global. Argumenta-se que essa matriz teórica tende a reduzir a política ora à formalidade institucional, ora à sua compreensão exclusiva como exercício de dominação, comprometendo a construção de uma teoria normativa capaz de enfrentar as contradições do sistema moderno-colonial e capitalista. Como hipótese central, defende-se que a Política da Libertação de Enrique Dussel oferece uma reconstrução normativa-realista do político apta a superar tais limites. Ao situar metodologicamente a reflexão no lugar epistemológico das vítimas e ao articular negatividade material e momento criativo da política, Dussel reinscreve a dominação como momento interno — e não como essência — do processo político. O critério da produção e reprodução da vida da comunidade política permite distinguir entre exercício legítimo e exercício fetichizado do poder, reconstruindo a universalidade como tarefa crítica situada.
