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Nietzsche e a linguagem: A racionalidade enquanto impulso de expressão da verdade pelo perspectivismo em arte e dança

Adilson Felicio Feiler

Autor
Adilson Felicio Feiler
Revista
Veritas (Porto Alegre)
Edição
67 / 1
Ano
2022
DOI
10.15448/1984-6746.2022.1.41412
Páginas
e41412
Idioma
pt
2022Adilson Felicio Feiler. Nietzsche e a linguagem: A racionalidade enquanto impulso de expressão da verdade pelo perspectivismo em arte e dança. Veritas (Porto Alegre), v. 67, n. 1, p. e41412, 2022.2

Entre as características fundamentais que se depreendem da obra de Nietzsche está a sua alta capacidade de expressão estilística. A forma com que o filósofo aborda inúmeros temas é permeada por uma linguagem que faz eco ao seu pensamento, expresso em arte e dança. De uma verdade absoluta e unilateral ele conduz a uma visão perspectiva plural, de modo que a linguagem, com a sua multiplicidade de figuras, chancela este processo de desconstrução metafísica. A concepção organicista, que caracteriza o pensamento nietzschiano, compreende instintos que apontam para disposições artísticas, vitais fundamentais, fazendo com que o sentido seja aparência, o conceito seja metáfora, e a verdade seja perspectiva. A expressão resultante deste campo, anímico, aparente, metafórico e perspectivístico se traduz em linguagem, fazendo com que o conjunto aforismático que compõe a obra nietzschiana constitua um todo, pautado pela crítica à cultura, precisamente em sua compreensão moderna. Em que aspectos o pensamento de Nietzsche, marcado por um procedimento diagnosticador dos valores morais, metafísicos da cultura, tem na linguagem um poderoso ingrediente de desconstrução? Sendo a linguagem a expressão pela qual a verdade se apresenta, não estaria Nietzsche ainda operando no registro da razão?