- Autor
- Francisco Guerra Ferraz
- Revista
- Modernos & Contemporâneos - International Journal of Philosophy [issn 2595-1211]
- Edição
- 6 / 14
- Ano
- 2022
- Páginas
- 22-41
- Idioma
- pt-BR
Neste estudo expomos, de maneira breve, a partir de um conjunto de artigos publicados na revista Chronicon Spinozanum, uma das principais a teses de Carl Gebhardt, a saber, a de que Espinosa seria a grande expressão do Barroco, isto é, que as categorias de sua filosofia seriam a tradução autêntica e sistemática da cultura de sua época. Ao mostrar a origem dos conceitos de época e estilo, que Gebhardt toma de Heinrich Wolfflin em sua obra seminal sobre a transição de estilos na arquitetura, entre o Renascimento e o Barroco, discutimos o significado da posição de Gebhardt no contexto intelectual alemão no início do século XX. Num segundo momento, aplicamos as características e as formulações do Barroco traçadas por Gebhardt a um caso concreto de suma importância para a filosofia de Espinosa e para sua época: a noção de infinito atual. Nosso propósito nesse ponto é investigar a intrincada concepção de infinito atual em Espinosa, a partir da presença de Hasdai Crescas em seu pensamento. Por fim, avaliamos que a presença de formulações oriundas da Espanha medieval gótica numa questão de absoluta centralidade da modernidade é um caso exemplar da validade da tese de Gebhardt que vê o Barroco irromper na valorização do infinito e nas forças morfogênicas do Renascimento e da Espanha do período Gótico que encontram em Espinosa seu ponto de fusão. Palavras-chave: Gebhardt, Infinito, Espanha, Barroco, Gótico, Crescas
