Voltar para Artigos
Artigos

O arco e a lira: o inaudito na Erótica de Safo

Lucimara Leite, Dion Davi Maced

Autor
Lucimara Leite, Dion Davi Maced
Revista
Educação e Filosofia
Edição
9 / 17
Ano
2008
DOI
10.14393/REVEDFIL.v9n17a1995-1006
Páginas
91-111
Idioma
pt
2008Lucimara Leite, Dion Davi Maced. O arco e a lira: o inaudito na Erótica de Safo. Educação e Filosofia, v. 9, n. 17, p. 91-111, 2008.4

Num estudo organizado por Michelle Perrot, no qual a interrogação sobre a possibilidade de uma história das mulheres é justamente o centro das atenções (e das tensões), a investigação sobre os motivos que levaram “aos habituais silêncios da história”, aqueles que estabeleceram a exclusão transcendental dos trabalhadores, dos marginais e das mulheres articula-se com a busca de compreensão da diferença originária entre os sexos. Sob o tema do silencio, e da aparente segurança a que a ideia remete, precisamente por desdobrar-se no silêncio da reprodução, naquele da infinita repetição das tarefas quotidianas, ou no da divisão sexual do mundo, considerado imóvel, ocultam-se as relações problemáticas a condicionar e designar o lugar do homem e da mulher no mundo da cultura. Se, por exemplo, no período histórico que nos interessa abordar, o processo de teorização e codificação das diferenças sexuais (por exemplo, a teoria do útero móvel que foi originada em Aristóteles: o embrião, quando nasce à direita, traz à luz um homem, e quando nasce à esquerda, uma mulher, por ser uma posição inferior; o portador da forma era o homem (porque possuía sêmen forte e quente), à mulher cabia o fornecimento da matéria, do suporte corporal (se também tinha sêmen, o seu era fraco e frio) conduziu à supremacia político-cultural do homem, nem por isso devemos desconsiderar o jogo de tensões que se inscrevia nesse quadro, aqui apenas rememorado. Tensões que intervêm nas diversas esferas da vida grega: no tribunal, na agorá, no mercado, no óikos. [...]  Palavras-chave: Filosofia antiga; Eros; Safo de Lesbos; Mulheres.