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O avesso de Sócrates: Xantipa e o lugar da mulher na história da Filosofia

Rafael Guimarães Tavares da Silva, Sara Camila Barbosa dos Anjos

Autor
Rafael Guimarães Tavares da Silva, Sara Camila Barbosa dos Anjos
Revista
Argumentos - Revista de Filosofia
Edição
32
Ano
2024
DOI
10.36517/Argumentos.16.32.93224
Páginas
101-113
Idioma
pt
2024Rafael Guimarães Tavares da Silva, Sara Camila Barbosa dos Anjos. O avesso de Sócrates: Xantipa e o lugar da mulher na história da Filosofia. Argumentos - Revista de Filosofia, n. 32, p. 101-113, 2024.1

Na história da Filosofia, Sócrates é representado como um indivíduo de caráter firme e temperante, ainda que intelectualmente inquieto, cujas investigações inauguram reflexões de ordem propriamente ética no âmbito do pensamento antigo. Sua posição histórica é considerada tão central que ele é escolhido como termo para a periodização da própria Filosofia Antiga (com filósofos organizados a partir da curiosa noção de “pré-socráticos”). Sua esposa, Xantipa, por outro lado, é representada pela tradição biográfica antiga como mal-humorada, voluntariosa e intemperante. Em várias anedotas, ela encarna o avesso de tudo o que se espera de um filósofo. A fim de refletir sobre algumas construções pautadas por aspectos de gênero no âmbito da história da Filosofia, vamos analisar o valor metonímico que representações de Sócrates, Xantipa e outras figuras femininas do seu entorno adquirem em obras filosóficas, especialmente naquelas compostas por Platão.