- Autor
- Henrique Franco Morita
- Revista
- Sofia
- Edição
- 7 / 1
- Ano
- 2018
- DOI
- 10.47456/sofia.v7i1.16111
- Páginas
- 244-263
- Idioma
- pt
A filosofia compreende o mal presente nos regimes totalitários? Arendt evoca o mal radical segundo Kant. Reconstrói-se, assim, a caracterização kantiana do mal, concentrando-se nas obras A Religião nos Limites da Simples Razão (1793) e Antropologia de um Ponto de Vista Pragmático (1798). As inclinações dividem-se em afetos e paixões. Afetos são insuficientes para macular uma boa vontade, paixões afiguram-se corruptoras. Parte-se, então, à pergunta sobre a natureza humana ser boa ou má, a propensão para o mal e a disposição originária para o bem: a natureza humana é corrompida, mas há responsabilização. Entre natureza e arbítrio, o conceito de mal aponta para o dever de usar a liberdade de acordo com os comandos da lei moral, reconduzindo-se à disposição santa originária. Daí a ideia de que a moral conduz à religião e à plenitude da comunidade ética. Conclui-se, entretanto, que Kant não abarca a superfluidade dos seres humanos – nem a banalidade do mal – como teorizado por Arendt.
