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O contrato racial: uma nova leitura das teorias modernas sob a perspectiva da epistemologia invertida

Jéssica Kellen Rodrigues

Autor
Jéssica Kellen Rodrigues
Revista
Cadernos de Ética e Filosofia Política
Edição
44 / 2
Ano
2025
DOI
10.11606/issn.1517-0128.v44i2p132-148
Páginas
132-148
Idioma
pt-BR
2025Jéssica Kellen Rodrigues. O contrato racial: uma nova leitura das teorias modernas sob a perspectiva da epistemologia invertida. Cadernos de Ética e Filosofia Política, v. 44, n. 2, p. 132-148, 2025.1

Este texto propõe apresentar uma leitura crítica do contratualismo moderno e neocontratualismo a partir da perspectiva do “contrato racial” formulado por Charles Mills em sua obra de mesmo nome, O Contrato Racial. Utilizando o conceito de “epistemologia invertida”, Mills argumenta que o contrato social, longe de ser um pacto universal entre sujeitos racionais e livres, é estruturado historicamente como um acordo estratégico que legitima a “supremacia branca” como um sistema político absoluto. A análise busca evidenciar como a exclusão de sujeitos não brancos do conceito de humanidade e do pacto social se dá por meio da construção e reprodução de uma “epistemologia da ignorância”, funcional ao projeto político de dominação do grupo branco. Neste sentido, Mills propõe um diálogo crítico com a obra Uma Teoria da Justiça de John Rawls por entender que se trata de uma análise que revitaliza o contrato social moderno – ainda que com aspectos radicalmente diferentes – sustentando a mesma estrutura excludente ao desconsiderar os efeitos históricos e materiais do racismo estrutural e isso porque ainda poderia, de algum modo, servir à supremacia branca, embora se proponha equitativa e imparcial. Neste sentido, o texto irá apresentar algumas questões centrais que atravessam esse debate.