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O desejo de não ser dominado e a experiência democrática em Maquiavel

Ricardo Polidoro Mendes

Autor
Ricardo Polidoro Mendes
Revista
Cadernos de Ética e Filosofia Política
Edição
43 / 1
Ano
2024
DOI
10.11606/issn.1517-0128.v43i1p66-80
Páginas
66-80
Idioma
pt-BR
2024Ricardo Polidoro Mendes. O desejo de não ser dominado e a experiência democrática em Maquiavel. Cadernos de Ética e Filosofia Política, v. 43, n. 1, p. 66-80, 2024.3

O conflito entre povo e grandes é central na obra de Maquiavel, pois a dinâmica conflitiva entre o desejo do povo, de não ser dominado, e dos grandes, de dominar, ordena o corpo social pela instituição de leis e ordenações. Nessa desunião, Maquiavel reconhece que o desejo do povo é mais confiável e conforme a liberdade, visto que ele recusa a dominação dos grandes e, portanto, não permite que a liberdade seja usurpada. Entretanto, embora o florentino assinale o vínculo entre o desejo do povo e a liberdade, ele não esclarece como o povo produz leis e ordenações em favor da vida livre. Assim, para compreender como a ação do povo reordena o corpo social segundo seu desejo, investigaremos a dinâmica desse humor em seu conflito com os grandes, nos capítulos 4 e 5 do primeiro livro dos Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio de Maquiavel, e em seguida nos dirigiremos ao capítulo 40 do primeiro livro dessa obra, pois nesse momento Maquiavel discorre sobre uma reordenação de Roma que opôs a plebe e os nobres para compreender a ação extraordinária do povo e de seu desejo em sua dinâmica com o desejo dos grandes. Nossa proposta, portanto, é mostrar como o povo reordena a cidade no sentido de uma experiência democrática segundo seu desejo de não ser dominado.