O ENFEITIÇAMENTO DA LINGUAGEM: ALIENAÇÃO DO TRABALHO DE KARL MARX À LUZ DOS JOGOS DE LINGUAGEM DE WITTGENSTEIN
Vitor Lucas Araújo Cavalcante Martins, Francisco de Assis Silva dos Santos
- Autor
- Vitor Lucas Araújo Cavalcante Martins, Francisco de Assis Silva dos Santos
- Revista
- Revista Helius
- Edição
- 6 / 2
- Ano
- 2025
- Idioma
- pt
Este estudo propõe uma aproximação teórica entre o conceito de jogos de linguagem desenvolvido por Ludwig Wittgenstein e a alienação do trabalho em Karl Marx, partindo da premissa de que a linguagem é um fenômeno historicamente construído e socialmente determinado. O objetivo central é evidenciar como a linguagem, enquanto mediadora da realidade, também está sujeita a processos de fetichização e reificação, à semelhança do trabalho alienado descrito por Marx. A análise considera que, ao perder o controle sobre o produto de seu trabalho, o sujeito também é distanciado de sua atividade vital, fenômeno que se estende à linguagem quando esta passa a operar como instrumento de naturalização das relações sociais de dominação. Wittgenstein, ao elaborar a noção de jogos de linguagem, destaca o caráter contextual e pragmático do significado das palavras, o que reforça a ideia de que a linguagem não possui um núcleo essencial, mas varia conforme seu uso social. Nesse sentido, termos como “colaborador” ilustram como a linguagem pode ser mobilizada ideologicamente para obscurecer relações de poder. O texto também incorpora a reflexão de Puntel sobre a linguagem como estrutura teórica e meio de acesso à realidade. Conclui-se que o diálogo entre Wittgenstein e Marx, embora complexo, revela-se produtivo para compreender a dimensão política da linguagem e sua função na reprodução ou contestação das estruturas sociais, especialmente no contexto do trabalho sob o capitalismo contemporâneo.
