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O Mundo reificado ou da Natureza da economia

Manuel Bezerra Neto

Autor
Manuel Bezerra Neto
Revista
Lampejo - Revista Eletrônica de Filosofia
Ano
2013
Idioma
pt-BR
2013Manuel Bezerra Neto. O Mundo reificado ou da Natureza da economia. Lampejo - Revista Eletrônica de Filosofia, 2013.4

Resumo: Este trabalho tem como proposta fazer uma abordagem sobre a questão da economia, não como expressão da atividade produtiva mediadora do ser humano em sociedade, mas especificamente no âmbito da forma social capitalista, em que a produção econômica perde seu caráter originário enquanto condição de provimento das necessidades naturais da sobrevivência física objetiva do homem e passa a ser encarada tão somente como “ciência” da racionalidade produtora de valores, diante das determinações exclusivas do capital para assegurar o processo de acumulação e da sua própria reprodução social. Neste sentido, a atividade econômica da sociedade vai se resumir apenas às práticas produtivas objetivadas do capital, cuja finalidade é reduzida somente à racionalização dos meios e dos fins voltados simplesmente para a produção de valores de troca como condição de extração de mais-valia. Pois é precisamente sob esse aspecto que podemos apreender porque as mercadorias na sociedade capitalista adquirem uma aura de sacralização e, por isso, ao invés de se apresentarem como objetivações dos indivíduos, ou como resultado da atividade mediadora do homem com a natureza tendo em vista assegurar suas condições reais de vida, elas, pelo contrário, se apresentam com vida própria, enquanto os homens é que se tornam objetivações do capital. Foi sob o aspecto reificado das mercadorias que Marx deu início à sua crítica radical da sociedade burguesa, isto é, como ele próprio afirmava, “a sociedade capitalista é apenas uma grande coleção de mercadorias” (Marx, 1974), com o agravante de que sua única finalidade é a produção de valores, sob cuja determinação os sujeitos criadores de valor apenas são subsumidos no processo da produção econômica da sociedade.