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O projeto de uma memória freudiana: uma análise acerca da constituição dessa noção nos primórdios da psicanálise

Maria Celina Lima Peixoto, Débora Passos de Oliveira

Autor
Maria Celina Lima Peixoto, Débora Passos de Oliveira
Revista
Trans/Form/Ação
Edição
35 / 02
Ano
2012
DOI
10.1590/S0101-31732012000200013
Páginas
257-276
Idioma
pt
2012Maria Celina Lima Peixoto, Débora Passos de Oliveira. O projeto de uma memória freudiana: uma análise acerca da constituição dessa noção nos primórdios da psicanálise. Trans/Form/Ação, v. 35, n. 02, p. 257-276, 2012.1

O presente trabalho versa sobre a constituição da noção de memória na teoria freudiana. Para tanto, utilizamos, de modo primordial, as elaborações desenvolvidas no Projeto para uma psicologia científica. Objetivamos ressaltar que Freud subverte a problemática acerca do conceito de memória, concedendo a essa ideia um caráter criativo que se diferencia da simples representação de um objeto contido na realidade material. Em Freud, a memória excede o que se compreende comumente como evocação, ou seja, a lembrança não se restringe à retomada de uma percepção. Se a memória é considerada como sendo o próprio psiquismo, é a sua relação com a pulsão e, posteriormente, com a noção de a posteriori (Nachträglich) que possibilita a efetivação de uma memória própria à Psicanálise. Desse modo, explicitamos que a memória em Freud é tanto um imperativo da pulsão quanto o desdobramento dos efeitos de uma temporalidade psíquica. Mesmo que parta de uma construção teórica estritamente associada às ciências naturais, um exame mais detido a respeito das formulações desse período nos ajuda a compreender a maneira como ele arquiteta uma teoria que, pelo menos a princípio, tinha como objetivo último esclarecer a problemática concernente à noção de memória.