O QUÃO ÚTIL É O CONHECIMENTO INÚTIL? : Considerações filosóficas e históricas sobre a importância social de atividades epistêmicas
Ian Salles Botti
- Autor
- Ian Salles Botti
- Revista
- PÓLEMOS – Revista de Estudantes de Filosofia da Universidade de Brasília
- Edição
- 9 / 18
- Ano
- 2020
- DOI
- 10.26512/pl.v9i18.29905
- Páginas
- 391 - 416
- Idioma
- pt
Este ensaio é uma reflexão sobre a utilidade do conhecimento. No meio acadêmico costuma-se tomar como dado que a cultura intelectual tem valor em si mesma, contudo, isso não é obvio para o público geral, que é levado a crer que universidades e institutos de ensino e pesquisa não tem utilidade, e por isso não devem receber apoio estatal. Atividades intelectuais não dão retorno econômico e social imediato, o que leva a conclusão de que o investimento nelas é supérfluo, quando comparado com áreas de maior importância prática, como saúde, segurança e educação básica. A concepção de utilidade por trás desse raciocínio é examinada, a fim de mostrar que o conhecimento científico é indispensável para a posse e manutenção dos bens considerados úteis. O artigo The Usefulness of Useless Knowledge, de Abraham Flexner é usado para embasar a defesa do valor prático e social de atividades epistêmicas. A filosofia da ciência de Mario Bunge (1980; 1988; 1989; 1990) é usada para explicitar aspectos da relação ciência-tecnologia-sociedade nos quais Flexner não toca.
