O QUE O PENSADOR TEM A APRENDER COM O XAMÃ? : CAMINHOS PARA (RE)PENSAR A FILOSOFIA DESDE UMA COSMOPERCEPÇÃO AMERÍNDIA
Eliana Moreira
- Autor
- Eliana Moreira
- Revista
- Revista Ideação
- Edição
- 1 / 52
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.13102/ideac.v1i52.11629
- Páginas
- 59-71
- Idioma
- pt
A incrível escultura “O pensador” feita por August Rodin em 1880 tornou-se ícone de representação do ato de filosofar, o gesto do queixo apoiando-se na mão, um semblante sisudo, pensativo, o corpo inclinado para baixo, o olhar demonstrando uma certa angústia, toda essa representação ilustra bem o que temos em mente quando se trata do filosofar. Por outro lado, temos uma escultura em argila de um xamã, sentado em seu banquinho, mãos apoiadas nos joelhos e um semblante que em nada lembra o do pensador. O xamã está sereno, sua figura nos demonstra uma total harmonia de seu ser no mundo, seu corpo não está inclinado, está ereto, o olhar abrange o horizonte. O corpo, o gesto e a expressão que nos remetem ao mundo circundante expresso nestes símbolos que são estas esculturas, nos dizem muito sobre o modo de ser-no-mundo destas representações de seres humanos. O que o pensador tem a aprender com o xamã? Eis a trilha que nos guia neste caminho que busca os rastros do filosofar e de uma estética nas rotas ameríndias. Afinal, re-conhecer a filosofia dos povos originários do Brasil, nesses tempos de “não-retorno” pode nos ajudar a “adiar o fim do mundo”.
