- Autor
- JOSÉ HENRIQUE ALEXANDRE DE AZEVEDO
- Revista
- Lampejo - Revista Eletrônica de Filosofia
- Ano
- 2015
- Idioma
- pt-BR
Resumo: Secamente, resumo este ensaio ao mostrar que há um paralelismo entre o Banquete de Platão e o projeto kantiano de Filosofia em, pelo menos, um aspecto, a saber, a importância do inoportuno. Mais precisamente, Platão mostra em seu livro sobre o amor que o poeta Aristófanes não consegue pôr o logos em baila por conta de não controlar a si mesmo, por ter bebido demais e ter tido de passar a palavra a Eríximaco, desordenando o simpósio. Ou seja, um mero detalhe faz com que possamos entender quem é o Filósofo: este é precisamente a antítese do poeta bêbado que não controla a si mesmo. O mesmo se passa com o projeto kantiano de Filosofia, uma vez que a demonstração do principal sentido de Filosofia para Kant aparece no final da sua vida em obras que não são convencionalmente contadas como válidas pelos comentadores enquanto suporte de um projeto geral. Há, com isso, um soluço de Aristófanes, representando, analogamente, os comentadores de Kant que não percebem ser o objetivo da Filosofia uma prática de vida da espécie guiada pela razão, enquanto subsidiária de uma doutrina da sabedoria cosmopolita voltada aos fins últimos que aquelafaculdade pode postular, enquanto ideal.
