- Autor
- Ricardo Ribeiro Lira da Silva
- Revista
- Artefilosofia
- Edição
- 17 / 32
- Ano
- 2022
- Páginas
- 144-162
- Idioma
- pt
No presente artigo procuramos sustentar a hipótese de que a obsolescência da filosofia da música de Adorno, diagnosticada de modo exemplar pela segunda geração da Teoria Crítica na Adorno Konferenz de 1983, é problemática, pois se fundamenta numa leitura parcial dos escritos musicais adornianos, fixando uma concepção de material musical centrada na Filosofia da nova música (1949) como paradigma de leitura para toda a obra do filósofo. De modo a sustentar tal hipótese, partiremos de uma reconstrução das principais objeções levantadas por Albrecht Wellmer e Peter Bürger na referida conferência para, em seguida, confrontá-las com reflexões presentes nos escritos musicais tardios de Adorno. Nesse confronto, buscamos evidenciar que as limitações apontadas pelos autores com relação à categoria de material musical são, antes, o resultado da parcialidade do próprio paradigma de leitura da Filosofia da nova música, cuja superação permitiria um olhar renovado sobre os potenciais da teoria crítica da música de Adorno para o presente.
