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Oliveira Viana, raça e autoritarismo brasileiro: o povo como objeto da ciência na constituição da soberania e da arquitetura institucional

Evandro Piza Duarte, Marcos Queiroz

Autor
Evandro Piza Duarte, Marcos Queiroz
Revista
Veritas (Porto Alegre)
Edição
69 / 1
Ano
2024
DOI
10.15448/1984-6746.2024.1.44148
Páginas
e44148
Idioma
pt
2024Evandro Piza Duarte, Marcos Queiroz. Oliveira Viana, raça e autoritarismo brasileiro: o povo como objeto da ciência na constituição da soberania e da arquitetura institucional. Veritas (Porto Alegre), v. 69, n. 1, p. e44148, 2024.4

O artigo investiga os fundamentos racistas do autoritarismo brasileiro por meio da análise da obra de Oliveira Viana. Primeiramente, desenvolve-se a ideia de “decantação branca da teoria social”, fenômeno pelo qual a branquidade separa e joga fora a crítica ao racismo de determinado autor, purificando seu pensamento. Em seguida, com base nos aportes de Clóvis Moura e Michel Foucault, são analisados como os argumentos de Viana a respeito do “tipo racial” local e do “povo” como objeto da ciência representam um momento de virada da ciência brasileira. Através do saber gerencial da população, tais concepções vinculam decisivamente “raça” e administração pública, constituindo a soberania como biopolítica e a arquitetura institucional do estado como gestão racial da vida e da morte. Conclui-se que o pensamento de Viana foi estratégico para lidar com os dilemas da branquidade brasileira diante dos impasses decorrentes do pós-abolição e das transformações políticas e econômicas globais do início do século XX.