- Autor
- Fernanda Alt
- Revista
- Trans/Form/Ação
- Edição
- 44 / 4
- Ano
- 2021
- DOI
- 10.1590/0101-3173.2021.v44n4.14.p193
- Páginas
- 193-212
- Idioma
- pt
Este artigo coloca em questão o conceito de transparência da consciência em Sartre, mostrando ao mesmo tempo outras possibilidades de se pensar modos “inconscientes”, que não o freudiano, em sua filosofia. Ao rejeitar o inconsciente psicanalítico, ao mesmo tempo em que propõe uma filosofia da consciência transparente, Sartre é frequentemente interpretado como aquele que assume e potencializa os problemas levantados pela herança do sujeito cartesiano no séc. XX. Assim, é preciso, em primeiro lugar, apontar quais são estes problemas para em seguida interrogar o sentido da consciência transparente em Sartre no intuito de verificar se de fato este acarreta nas consequências mais clássicas de tal característica. Neste movimento, ocorre que a própria consciência revela elementos desconstrutivos graças a seu caráter “espectral”, traço implícito, porém presente no texto de Sartre. Além disso, a investigação torna possível vislumbrar outras formas inconscientes - neste caso, aspectos que indicam desconhecimento e opacidade na relação a si -, colocando finalmente em questão tal herança e suas consequências.
